Chile cria uma das maiores reservas marinhas das Américas

Nesta segunda-feira (5), o governo do Chile anunciou a criação da maior reserva marinha das Américas: O Parque Marinho Nazca-Desventuradas, localizado entre as ilhas de San Ambrosio e San Felix, tem 297 mil quilômetros quadrados (aproximadamente o tamanho da Itália) e foi delimitado graças a um estudo conduzido pela National Geographic Society em parceria com a organização internacional de conservação marinha Oceana.

“Por muitos anos o Chile foi um dos países ligados à pesca mais importantes do mundo. Infelizmente, isso levou ao esgotamento dos nossos recursos marinhos”, diz Alex Muñoz, vice-presidente da Oceana no Chile. “Com a criação deste parque marinho em torno das Desventuradas, também estamos nos tornando um líder na conservação marinha”, completa.

Segundo Enric Sala, explorador de National Geographic e um dos líderes do Pristine Seas (projeto que visa proteger os últimos lugares selvagens nos oceanos), o parque está localizado em um ambiente oceânico original e abrange uma mistura de espécies tropicais e temperadas com aproximadamente 72% de espécies endêmicas (que não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo).

Alan Friedlander, cientista-chefe do projeto Pristine Seas da Nacional Geographic Society, disse que a área era local de pesca antes da criação do novo parque. Agora, atividades extrativistas não serão permitidas.

A área protegida tem formato de Pac Man porque uma porção tinha de ser delimitada para a pesca. “A pesca será permitida em uma área desprotegida em forma de cunha, que confere uma forma diferente ao novo parque marinho”, diz Muñoz. Além disso, uma cooperativa de lagosta, que foi certificada como sustentável pela organização internacional Marine Stewardship Council, continuará em uma pequena área fora da reserva.

Um passo de cada vez

Para Russell Moffitt , analista de conservação do Instituto de Conservação Marinha em Seattle, a proteção de águas próximas ao litoral, que são fortemente impactadas pela pesca ou poluição, é mais urgente do que delimitar reservas marinhas tão longe da costa. “A tendência predominante é a de proteger grandes áreas marinhas e grandes reservas longe da costa e dos grandes centros populacionais, geralmente com baixo interesse de pesca” diz Moffitt. “Nós realmente precisamos criar um portfólio mais diversificado de reservas marinhas”, completa.

Sala e Muñoz concordam que as águas próximas do litoral precisam de proteção . Mas áreas isoladas, como as Desventuradas são ameaçadas por frotas de pesca de longa distância e pela pesca de arrasto. “Protegê-las antes que se tornem degradadas não só é cientificamente valioso, mas também rentável”, diz Friedlander.

Países ao redor do mundo ainda têm um longo caminho a percorrer para atingir a meta das Nações Unidas de proteger 10% dos oceanos do mundo até 2020. Para Moffitt, o parque Desventuradas é um passo na direção certa e Muñoz já está determinado a proteger outra área no arquipélago de Juan Fernández.

Via National Geographic.

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