Cientista encontra rio fervente na Amazônia que inspirou lenda peruana

Durante a infância, Andrés Ruzo ouvia histórias de seu avô sobre as disputas dos espanhóis com os incas. Na busca por uma cidade cheia de ouro na Amazônia, os espanhóis acabaram se deparando com árvores e plantas incríveis, bem como um rio mágico e borbulhante localizado no meio da floresta.

Ruzo cresceu e se tornou um cientista. Enquanto trabalhava em seu PhD pela Universidade Metodista do Sul, no Texas, nos Estados Unidos, ele começou a investigar o potencial geotermal do Peru. Até que se lembrou da lenda contada pelo avô.

A partir dai, Ruzo começou a pesquisar sobre as chances de haver rios ferventes e borbulhantes no Peru. Como conta em sua apresentação do TED, ele começou a perguntar a todos que conhecia sobre essa possibilidade. A resposta era sempre não – e fazia sentido, afinal, seria necessário haver atividade vulcânica ao redor para produzir tantas manifestações geotermais, coisa que o Peru não tem.

Ao conversar com seus tios peruanos sobre o assunto, o cientista foi pego de surpresa ao descobrir que sua tia, na verdade, já tinha nadado em um rio parecido com o da descrição. Ele pediu que ela o levasse até lá. “Quando vi aquele rio, imediatamente peguei meu termômetro“, disse Ruzo. “A temperatura média do rio era de 86ºC. Não estava fervendo ainda, mas estava perto… Não era uma lenda, afinal de contas.

O rio é muito maior do que a média das piscina termais: ele tem 25 metros de largura, seis de profundidade e sua água quente corre por cerca de 6,24 quilômetros. Como aponta o Science Alert, o mais curioso é que o sistema vulcânico mais próximo ao rio fica a 700 quilômetros, logo, sua temperatura não faz nenhum sentido.

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Ruzo passou os últimos cinco anos estudando o rio em questão, o que resultou no livro The Boiling River, que acaba de ser lançado nos Estados Unidos. Nele, o pesquisador conta que a temperatura da água vem de fontes termais. Para entender melhor, pense na Terra como um corpo humano, com material fluindo pelas artérias. Essas artérias, no caso, estariam cheias de água quente; quando chegam na superfície, criam manifestações geotérmicas, como o rio da lenda da família Ruzo.

Ele também alerta para os perigos do rio. Ainda que o local seja maravilhoso, o pesquisador chegou a ver vários animais caindo e morrendo com as altas temperaturas. Só é possível nadar nele, como sua tia havia feito, quando ocorrem chuvas fortes e a água gelada se mistura com a do rio.

No momento, Ruzo direciona a maior parte de seus esforços para fazer com que o governo peruano proteja os entornos do rio. “O planeta ficou menor e belezas naturais como essa são cada vez mais raras“, disse Ruzo em entrevista ao Gizmodo.

Via Revista Galileu.

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