Jiboia mais rara do mundo é encontrada após mais de 60 anos

Uma das jiboias mais raras do mundo, a Jiboia-do-Ribeira, foi encontrada viva em seu habitat natural após uma procura de mais de 60 anos sem resultados pelos cientistas. A cobra, da espécie Corallus cropanii, foi achada no Vale do Ribeira, em São Paulo por moradores da região, e será monitorada por biólogos da USP e do Instituto Butantan.

Pesquisadores estão tentando encontrar um exemplar da espécie desde os anos 1950, quando o pesquisador Alphonse Richard Hoge, regristrou a primeira Corallus corpanii, achada na cidade de Miracatu, em São Paulo. Desde então, a serpente vem sendo confundida com outras jiboias pelos moradores e, consequentemente, os cientistas apenas tinham acesso a espécimes mortas.



Na tentativa de melhorar as buscas, os biólogos Bruno Rocha e Daniela Gennari, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), e Lívia Corrêa, do Instituto Butantan, conduziram uma aproximação com a população da comunidade de Guapiruvu, no município de Sete Barras, no Vale do Ribeira. Foram distribuídos cartazes e folhetos com fotos da espécie, além de palestras com os moradores.

Biólogo Bruno Rocha segura animal encontrado no Vale (FOTO: LÍVIA CORRÊA/ARQUIVO PESSOAL)
Biólogo Bruno Rocha segura animal encontrado no Vale (FOTO: LÍVIA CORRÊA/ARQUIVO PESSOAL)

Justamente por causa de tal iniciativa que a cobra foi salva por moradores da comunidade. O trabalho de conscientização foi importante para que eles entendessem a biodiversidade da região, ajudando a conservar o ecossistema e as espécies que ali vivem.

Mais de meio século depois, o pesquisador Bruno Rocha não esconde a felicidade de participar do que ele classifica como um novo capítulo da história da ciência mundial. “Não se sabe nada sobre os hábitos dela. Agora será possível estudá-la com todos os detalhes. Existem exemplares da mesma família registrados há muito tempo na África, Ásia e até aqui nas Américas, mas a C. cropanii só temos identificada na Mata Atlântica do Vale do Ribeira”, explica Rocha, que integra a equipe do Museu de Zoologia da USP.

A espécime de macho possui 1,70 metros de comprimento e pesa 1,5 quilos. Por ser da família das jiboias, ela não é peçonhenta e mata suas presas através da contrição (estrangulamento). Agora, provida de um equipamento de radiotelemetria, a cobra será rastreada para ter seus comportamentos mapeados, já que pouco se conhece sobre ela em ambiente natural.

Dessa forma, os cientistas acreditam poder trabalhar para uma melhor preservação da jiboia. A cobra ficará solta em seu habitat, e será monitorada não só pelo equipamento, mas também por associados da comunidade local. Os moradores receberão treinamento técnico especial e também serão remunerados para vigiar a jiboia.

Segundo os pesquisadores, o achado vem para reforçar a necessidade de preservação do ecossistema local, além de mostrar a importância que uma maior aproximação entre a comunidade científica e a sociedade pode ter na produção de conhecimento e na preservação da biodiversidade.

Cobra era procurada há mais de 60 anos por cientistas (FOTO: LÍVIA CORRÊA/ARQUIVO PESSOAL)
Cobra era procurada há mais de 60 anos por cientistas (FOTO: LÍVIA CORRÊA/ARQUIVO PESSOAL)

Apesar dos estudos que envolvem dezenas de pessoas, o biólogo Bruno Rocha espera que o trabalho atual seja só o começo de uma grande história que dê ainda mais frutos. “Essa descoberta mexe com meu coração porque vários cientistas tentaram em métodos tradicionais de coleta e não conseguiram, mas a parceria, educação e comunidade foram fundamentais. É fantástico viver um momento desses como cientista, mas o mais importante agora é que a própria jiboia comece a contar sua história quando voltar à natureza nos próximos dias”.

Via Revista Galileu e G1.

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